Archivos Latinoamericanos de Producción Animal. 2022. 30 (4)
Avaliação de carcaça in vivo e biometria corporal em ovelhas Dorper
em diferentes faixas etárias
Recibido: 20211113. Aceptado: 20220826
1Faculdade Multivix Campus Vitória, CEP 29075080, Vitória, ES, Brasil.
2Autor para la correspondência: crq@uenf.br
301
Thaís Fitaroni Ramos Larcerda
Carolina Freitas Rosa e Paula
In vivo carcass evaluation and body measurements of Dorper ewe in different
age groups
Abstract: The aim of this study was to correlate the morphometric and carcass characteristics in vivo in Dorper pure
of origin ewes in different age groups. We estimated the body condition score (EC), body measurements and
analyzed the carcasses by ultrasound of 39 ewes. The data were investigated for normal distribution of the traits
and comparison of the means and were submitted to analysis of variance using the effects of age (group G1: 1.4 2
years and group G2: 2 < years old ≤ 5.5) and were calculated the correlations between the characteristics. The group
G2 presented higher values of EC (3.54 ± 0.65), height at the withers (AC) (61.21 ± 4.05 cm), height at the rump
(AG) (62.27 ± 2.68 cm), thoracic perimeter (PT) (95.67 ± 6.75 cm), body length (CC) (75.12 ± 6.52), loin eye area
(AOL) (13.50 ± 1.83 cm²), width of the L. dorsi muscle (LARG) (5.54 ± 0.62 cm), depth of the L. dorsi muscle (PROF)
(2.98 ± 0.48 cm) and subcutaneous fat thickness (EG) (0.51 ± 0.19 cm), than group G1. The characteristics EC, PT,
CC, AOL, LARG, PROF, EG and the ratio between width and depth of L. dorsi (MUSC) showed significant P values
(< .05), however the characteristics AC and AG didn’t present significant values. Age and EC showed moderate
correlations with each other (0.24). Moderate to high pairwise correlations were found between AC, AG, and PT
(0.56 to 0.72) (p < 0.01). and between AOL, PROF, LARG, MUSC and EG (0.49 to 0.71) (p < 0.01). PT showed a
moderate and significant correlation with the measurements of AOL (0.54) (p < 0.01), PROF (0.61) (p < 0.05) and EG
(0.49) (p < 0.01). The results showed the possibility of using MUSC for selection of sheep with greater muscularity
and PT as selection of sheep with good carcass conformation for in vivo evaluation without using ultrasound.
Key words: meat, morphometry, sheep, production, ultrasound
Resumo: Objetivouse nesse estudo correlacionar as características morfométricas e de carcaça in vivo em matrizes
Dorper puras de origem em diferentes faixas etárias. Foi tomado o escore corporal (EC), medidas morfométricas e
feito ultrassom de carcaça em 39 matrizes. Foi feita análise estatística de normalidade das características,
comparação das médias, análise de variância utilizando efeitos de idade (grupo G1: de 1.4 2 anos de idade; e
grupo G2: 2 < idade 5.5 anos) e calculadas as correlações entre as características. O grupo G2 apresentou maiores
médias de EC (3.54 ± 0.65), altura de cernelha (AC) (61.21 ± 4.25 cm), altura de garupa (AG) (62.27 ± 2.68 cm),
perímetro torácico (PT) (95.67 ± 6.75 cm), comprimento corporal (CC) (75.12 ± 6.52), área de olhodelombo (AOL)
(13.50 ± 1.83 cm²), largura do músculo L. dorsi (LARG) (5.54 ± 0.62 cm), profundidade do músculo L. dorsi (PROF)
(2.98 ± 0.48 cm) e espessura de gordura subcutânea(EG) (0.51± 0.19 cm) que o grupo G1. As características EC, PT,
CC, AOL, LARG, PROF, EG e a razão entre largura e profundidade do L. dorsi (MUSC) apresentaram valores de P
significativos (<.05), entretanto as características AC e AG não foram significativas. Idade e EC apresentaram
correlações moderadas entre si (0.24). Foram encontradas correlações de moderadas a altas entre AC, AG e PT (0.56
a 0.72) (p < 0.01) e entre AOL, PROF, MUSC e EG (0.49 a 0.71) (p < 0.01). A medida morfométrica de PT apresentou
correlação moderada e significativa com as medidas de AOL (0.54) (p < 0.01), PROF (0.61) (p < 0.05) e EG (0.49) (p <
0.01). Os resultados mostram a possível utilização da MUSC para seleção de ovinos com maior muscularidade e do
PT como medida auxiliar para a seleção de ovinos com adequada conformação de carcaça na ausência de ultrassom
para avaliação de carcaça in vivo.
Palavraschave: carne, morfometria, ovinos, produção, ultrassom
www.doi.org/10.53588/alpa.300403
1Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro UENF, Avenida Alberto Lamego 2000,
Parque Califórnia, Campos dos Goytacazes, RJ, Brasil.
Natalia Mercedes Vallejos
André Torres Geraldo1Camila da Conceição Cordeiro Celia Raquel Quirino2
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A ovinocultura de corte é uma atividade de
importância no Brasil, estendendose por todo
território. O efetivo do rebanho ovino brasileiro é de 20
537 474 animais, sua maior concentração está na região
Nordeste (69.92 %), seguido pelas regiões Sul (19.19
%), CentroOeste (4.99 %), Sudeste (2.96 %) e Norte
(2.94 %) (IBGE, 2021).
Dorper é uma raça de corte originária da África do
Sul (Gavojdian et al, 2013), que apresenta alta
fertilidade, rápido ganho de peso, conformação de
carcaça com elevado desenvolvimento muscular e alta
adaptação às regiões subtropicais (Cloete et al., 2000,
Barros et al., 2005). Em raças de produção de carne, a
seleção de animais com caracteristicas superiores é
uma prática de manejo adotada para garantir a
qualidade de carcaça dos ovinos de corte (Silva e Pires,
2000).
As matrizes Dorper têm o seu primeiro cio com,
aproximadamente, 6 meses de idade e o primeiro parto
por volta dos 9 meses, permanecendo nos sistemas de
produção por 4.7 temporadas reprodutivas (Cloete et
al., 2000), ou seja, até a idade próxima de 5 anos. Com
o aumento da idade dos ovinos se tem um aumento
das medidas biométricas e das medidas de avaliação
da carcaça (Berg e Butterfield, 1976; Cient, 2006; Cunha
Filho et al., 2010; Grandis et al., 2018; Osório et al., 2020;
Oliveira et al., 2022), com isso, é importante a
realização de estudos que avaliem o efeito da idade
nessas características em matrizes, por se tratarem de
animais adultos com um intervalo amplo de
permanência dentro de um sistema de produção.
Estudos de características que permitam a seleção
direcionada para a produção de carne, conformação de
carcaça, musculosidade, acabamento precoce e etc., são
medidas importantes para identificar as melhores
matrizes que irão promover os ganhos genéticos em
musculosidade e acabamento precoce no sistema de
produção de corte (Yáñez et al., 2004; Landim et al.,
2007; Suguisawa et al., 2013).
Uma dessa medida,
o escore corporal (EC), foi criada
por Russel et al., (1969) e permite avaliar
subjetivamente a quantidade de gordura e músculo
pela palpação da região dorsal da coluna vertebral do
animal vivo. A gordura avaliada por esse método tem
correlação sobre a composição tecidual da carcaça, no
estado de acabamento de carcaça e na qualidade
instrumental e sensorial da carne (Osório et al., 2009).
Além disso, medidas morfométricas ou biométricas da
altura de cernelha (AC), altura de garupa (AG),
perímetro torácico (PT) e comprimento corporal (CC),
têm sido utilizadas para estimar a produção de carcaça
em pequenos ruminantes (Yáñez et al., 2004). Essas
medidas são de grande relevância para o processo de
melhoramento, permitindo estabelecer parâmetros de
Introdução
Evaluación de canales in vivo y biometría corporal en ovejas Dorper en
diferentes grupos de edad
Resumen: El objetivo de este estudio fue correlacionar las características morfométricas y de la canal in vivo en
reproductoras Dorper pura de origen a diferentes franjas etarias. Se realizó la determinación de escore corporal
(EC), de medidas morfométricas y la ecografía de la canal en 39 ovejas. Se verificó la normalidad de las
características, se realizó la comparación de medias, análisis de varianza mediante efectos de la edad (grupo G1: 1.4
2 años y grupo G2 2 < años 5.5) y las correlaciones entre las características medidas. El grupo G2 presentó
mayores promedios de EC (3.54 ± 0.65), altura de la cruz (AC) (61.21 ± 4.25 cm), altura de la grupa (AG) (62.27 ± 2.68
cm), circunferencia del pecho (PT) (95.67 ± 6.75 cm), longitud del cuerpo (CC) (75.12 ± 6.52), área del ojo del lomo
(AOL) (13.50 ± 1.83 cm²), ancho del músculo L. dorsi (LARG) (5.54 ± 0.62 cm), profundidad del músculo L. dorsi
(PROF) (2.98 ± 0.48 cm) y espesor de grasa subcutánea (EG) (0.51 ± 0.19 cm) que el grupo G1. Las características EC,
PT, CC, AOL, LARG, PROF, EG y la razón entre ancho y profundidad de L. dorsi (MUSC) mostraron valores de P
significativos (<. 05), pero, las características AC y AG no fueron significativas. La edad y la CE mostraron
correlaciones moderadas entre (0.24). Se encontraron correlaciones de moderadas a altas entre AC, AG y PT (0.56
a 0.72) (p < 0.01) y entre AOL, PROF, CC, MUSC y EG (0.49 a 0.71) (p < 0.01). PT mostró una correlación moderada
y significativa con las medidas de AOL (0.54) (p < 0.01), PROF (0.61) (p < 0.05) y EG (0.49) (p < 0.01). Los resultados
muestran el posible uso de MUSC para la selección de ovejas con mayor musculatura y de PT como medida auxiliar
para la selección de ovejas con buena conformación de la canal en ausencia de ultrasonido para la evaluación de la
canal in vivo.
Palabras clave: carne, morfometría, ovino, producción, ultrasonido
Paula et al.
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Material e Métodos
Animais, local de estudo e manejo
Durante o período de outubro de 2019 a fevereiro
de 2020, um total de 39 fêmeas da raça Dorper PO,
provenientes de rebanhos de seleção de animais
“elite” criados na região do norte do estado do Rio de
Janeiro, Brasil, foram estudados.
O manejo das ovelhas foi semiintensivo, com acesso
à pastos de Mombaça (Panicum maximum cv. Mombaça)
e/ou Pangolão (Digitaria pentizii) e suplementação, de
acordo com o manejo da propriedade a qual
perteciam. Em uma das propriedades os animais
recebiam silagem de milho (3 kg/animal) e
concentrado OvinoMil V Lactação, Mil Rações® (400 g/
animal) duas vezes ao dia, em outra, capim BRS
(Capiaçu pennisetum purpureum schum cv. BRS Capiaçu)
picado (1 kg/animal) e fubá (200 g/animal) também
duas vezes ao dia e suplementação mineral Promivit
Ovinos, Jotagro® ad libitum, na terceira propriedade a
suplementação consistia em silagem de milho (1,5 kg/
animal), capim Napier (Pennisetum purpureum Schum)
picado e concentrado (400 g/animal) composto de
fubazão e 5 % de núcleo mineral Powerphos Ovinos,
Jotagro® duas vezes ao dia. Acesso a água ad libitum.
As matrizes não eram aparentadas de acordo com o
registro realizado na Associação de criadores da raça
Dorper e não haviam fêmeas gestantes, cobertas ou
com cordeiro ao participando desse estudo. As
matrizes foram separadas aleatoriamente em dois
grupos de idade: G1: de 1.4 2 anos e G2: 2 < idade
5.5 anos; com 14 e 25 ovelhas, respectivamente.
Biometria e avaliação de carcaça in vivo
Medidas de escore corporal, medidas morfométricas
e medidas de carcaça in vivo (por ultrassonografia)
foram tomadas para avaliação e estimativa das
correlações entre essas características. Essas medidas
foram obtidas em 6 momentos distintos.
A avaliação do escore de condição corporal (EC) foi
realizada individualmente por um mesmo avaliador,
com base no sistema de palpação da região dorsal da
coluna vertebral da ovelha (Russel et al., 1969), com
atribuição de valores em uma escala de 1 a 5 e variação
de 0.5 (Osório, 2014). O peso corporal das ovelhas foi
obido como informação complementar, cuja média
geral foi 58.93 ± 11.01 kg, com peso minimo de 44.00
kg a peso máximo de 79.70 kg.
As medidas morfométricas foram realizadas com
auxílio de fita métrica e hipômetro zoométrico pelo
mesmo técnico e com animal em estação em superfície
plana e lisa (Costa et al., 2006). A altura de cernelha
(AC) foi medida entre o ponto mais alto da região
interescapular e o solo (Sena et al., 2016), e a altura de
garupa (AG) foi medida entre a tuberosidade sacral do
íleo e o solo (Sena et al., 2016). O comprimento
corporal (CC), entre a parte cranial da tuberosidade
maior do úmero até a parte caudal da tuberosidade
isquiática (Sena et al., 2016), e o perímetro torácico
(PT), da circunferência da cavidade torácica, junto as
axilas (Souza et al., 2014).
A avaliação de carcaça in vivo foi realizada por
ultrassonografia precedida por tricotomia da região
entre 12ª e 13ª costela, sobre o músculo Longissimus
características e a relação entre a conformação do
animal e sua funcionalidade (Araújo Filho et al., 2007).
A avaliação das características de carcaça in vivo por
imagem de ultrassom em ovinos de forma não invasiva
permite conhecer o desenvolvimento do tecido adiposo
e muscular dos animais, sendo utilizado no préabate e
programas de seleção de raças (McManus et al., 2013;
Scholz et al., 2015). Esse método consiste em avaliar o
tamanho do músculo Longissimus dorsi, a espessura da
gordura subcutânea, entre outras medidas através da
imagem gerada no ultrassom (Geraldo et al., 2017),
dessa maneira, podemos dizer que é menos susceptível
erros pela influência do tamanho e espessura da
pelagem do animal, estado fisiológico em que se
encontra, e de avaliador, em comparação mensuração
das medidas biométricas.
As medidas tomadas antes do abate, ou seja, in vivo,
são importantes para as fêmeas reprodutoras na
perspectiva da seleção e melhoramento genético para
qualidade de carcaça. Visto que as matrizes ovinas são
importantes no sistema de corte como genitoras de
futuros reprodutores e cordeiros para corte, e devido à
escassez de estudos no Brasil de morfometria corporal
e de carcaça in vivo em ovelhas adultas, é necessário
estudar e avaliar essas características em matrizes da
raça Dorper puras de origem (PO).
O objetivo desse estudo foi correlacionar as
características morfométricas e de carcaça in vivo em
matrizes Dorper puras de origem em diferentes faixas
etárias.
303
Avaliação de Carcaça in vivo e biometria corporal em ovelhas da raça Dorper
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Os resultados da estatística descritiva da média
geral e por grupo etário das características de EC,
morfometria corporal e carcaça são apresentados na
tabela 1. Um alto valor do CV % foi observado para a
característica de EG.
O efeito de idade afetou significativamente
(P < 0.05) as características de EC, AG, PT, AOL,
LARG, PROF e EG, de forma que as matrizes com
idade superior a 2 anos apresentaram médias
superiores, comparativamente aos animais com idade
inferior a 2 anos (G1). Entretanto as características de
AC, CC, e MUSC apresentaram resultados (P > 0.05)
similares entre os grupos das matrizes.
Na Tabela 2 são apresentadas as correlações entre as
características de EC, morfometria corporal e de
carcaça in vivo tomadas por ultrassonografia de
matrizes Dorper. As correlações entre os grupos
etários G1 e G2 não foram estatisticamente diferentes,
dessa maneira foi decidido deixar as correlações gerais
dos grupos G1 e G2 juntas. A variável de idade
apresentou correlação moderada e significativa com
PT e AOL (p < 0.01). Quanto as características de
morfometria corporal foram encontradas correlação
alta e significativa entre AC e AG (p < 0.01), correlação
moderada e significativa entre AC e PT (p < 0.01) e
entre AG e PT (p < 0.01). As medidas de carcaça in vivo
tomadas por ultrassonografia apresentaram correlação
alta e significativa entre AOL e PROF (p < 0.01),
correlações moderadas e significativas entre AOL e
LARG (p < 0.01), AOL e EG (p < 0.01) e PROF e MUSC
(p < 0.01) e correlação negativa moderada e
significativa entre LARG e MUSC (p < 0.01). As
Resultados
Figura 1. Tricotomia da região entre a 12ª e 13ª costela (a) para obtenção da imagem ultrassonográfica in vivo para mensuração
das medidas de AOL (1), LARG (2) , PROF (3) e EG (4) (b).
(a) (b)
dorsi (Figura 1). As medidas de carcaça foram tomadas
com auxílio de um ultrassom (sonda linear 5.0 MHz;
Mindray DP 2200, China) conforme descrito por Silva
Sobrinho (1999) e incluiram as medidas de área de
olhodelombo (AOL) em cm², largura do músculo
Longissimus dorsi (LARG), profundidade do músculo
(PROF), espessura de gordura subcutânea (EG) e
musculosidade (MUSC). A MUSC foi obtida pela
razão entre largura e profundidade do músculo
Longissimus dorsi (Suguisawa et al, 2013; Taveira et al.,
2016). Nesse contexto, animais com valores maiores
que 0.4 para MUSC são considerados mais adequados
para a produção de carne (King 2006 apud Suguisawa
et al., 2013), e essa medida é um parâmetro adequado
para a seleção de matrizes.
Análise estatística
Os resultados obtidos nas avaliações foram
submetidos a análise de consistência dos dados e a
estatística descritiva (PROC MEANS, SAS®,
University Edition). Também foi verificada a
normalidade das características analisadas (Shapiro
Wilk Test, PROC UNIVARIATE, SAS University
Edition). A análise de variância com medidas repetidas
das características foi realizada usando um modelo
com medidas repetidas que incluiu o efeito fixo de
idade (G1: 1.4 2 anos de idade; G2: 2 < idade 5.5
anos) (PROC GLM, SAS University Edition). As
médias das características (EC, medidas morfométricas
e medidas de carcaça in vivo tomadas por
ultrassonografia) foram comparadas pelo teste “SNK”
ao nível de 5 % de probabilidade. As correlações de
Pearson foram calculadas entre as características
(PROC CORR, SAS University Edition).
Paula et al.
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Tabela 1. Estatística descritiva das características de escore corporal, morfometria corporal e de carcaça in vivo tomadas por
ultrassonografia de 39 matrizes Dorper em diferentes grupos etários.
Característica Média ± DP CV (%) G1= 14 G2 = 25 P
Média ± DP Média ± DP
EC 3.34 ± 0.62 17.66 3.23 ± 0.61b 3.54 ± 0.65a < .05
AC (cm) 60.40 ± 3.13 5.35 59.71 ± 2.16a 61.21 ± 4.05a ns
AG (cm) 61.42 ± 2.32 3.75 60.74 ± 1.86b 62.27 ± 2.68a ns
PT (cm) 92.35 ± 6.10 5.54 89.00 ± 3.79b 95.67 ± 6.75a < .05
CC (cm) 75.10 ± 5.61 6.44 74.49 ± 5.09a 75.12 ± 6.52a < .05
AOL (cm2) 12.20 ± 2.66 18.15 10.82 ± 2.68 b 13.50 ± 1.83a < .05
LARG (cm) 5.33 ± 0.79 12.08 5.00 ± 0.66b 5.54 ± 0.62a < .05
PROF (cm) 2.84 ± 0.48 16.11 2.65 ± 0.43b 2.98 ± 0.48a < .05
EG (cm) 0.42 ± 0.17 35.23 0.37 ± 0.15b 0.51 ± 0.19a < .05
MUSC 0.54 ± 0.11 19.57 0.54 ± 0.12a 0.54 ± 0.08a < .05
As médias seguidas de letras diferentes diferem no teste SNK a 5 % de probabilidade.
G1: grupo etário com matrizes idade entre 1.4 anos e 2 anos; G2: grupo etário com matrizes com idade entre maiores de 2 anos e 5.5 anos ; DP:
desvio padrão e CV: Coeficiente de variaçãP: valor da probabilidade da análise de variância; EC: escore corpora AC: altura de cernelha; AG:
altura de garupPT: perímetro torácico; CC: comprimento corporal; AOL: área de olhodelombo; LARG: largura do músculo Longissimus dorsi;
PROF: profundidade do músculo Longissimus dorsi; EG: espessura de gordura subcutânea; MUSC: medida encontrada pela razão da largura e
profundidade do músculo Longissimus dorsi.
Tabela 2 Correlação de Pearson entre as características de idade, EC, morfometria corporal e de carcaça in vivo tomadas por
ultrassonografia de matrizes Dorper.
IDADE EC AC AG PT CC AOL LARG PROF EG
EC 0.24
AC 0.23 0.37*
AG 0.32* 0.29* 0.72**
PT 0.53** 0.61** 0.56** 0.54**
CC 0.06 0.20 0.04 0.01 0.40*
AOL 0.50** 0.56** 0.20 0.14 0.54** 0.32
LARG 0.39* 0.16 0.15 0.14 0.31* 0.27* 0.51**
PROF 0.35* 0.59** 0.34* 0.30* 0.61* 0.28* 0.71** 0.32*
EG 0.39* 0.57** 0.15 0.10 0.49** 0.35* 0.61** 0.32* 0.41*
MUSC 0.02 0.41* 0.17 0.16 0.23 0.04 0.17 0.49** 0.62** 0.09*
* = significativo (p < 0.05); ** = significativo (p < 0.01).
EC: escore corporal; AC: altura de cernelha; AG: altura de garupa; PT: perímetro torácico; CC: comprimento corporal; AOL: área de olhode
lombo; LARG: largura do músculo Longissimus dorsi; PROF: profundidade do músculo Longissimus dorsi; EG: espessura de gordura subcutânea;
MUSC: medida encontrada pela razão da largura e profundidade do músculo Longissimus dorsi.
A média de EC encontrada nas matrizes do presente
estudo está dentro do que é esperado para a obtenção
de uma boa produtividade (Souza et al., 2011). Ovinos
com escore corporal 3, geralmente possuem uma
disponibilidade adequada de alimento para a
manutenção das funções produtivas e reprodutivas
(Moraes e Souza, 2019). Em matrizes, o escore 3
representa uma condição corporal recomendada para
um desempenho reprodutivo adequado. Essa condição
deve ser observada em dois momentos distintos: antes
do acasalamento e antes do parto (Moraes, 2009).
Relativamente as médias encontradas no presente
trabalho.Biagiotti et al. (2015) relataram médias
semelhantes para AC (64.33 ± 3.80 cm), AG (63.96 ±
4.55 cm), PT (90.71 ± 9.84 cm) e CC (74.64 ± 5.46 cm)
em ovelhas adultas Dorper, no estado do Piauí. Santos
et al. (2020) fazendo caracterização fenotípica e
predição de peso de ovelhas mestiças Dorper × Santa
Inês relataram médias com valores para AC de 60.40
cm e para AG de 61.24 cm. Suhaila et al. (2013)
observaram valores de PT de 90 cm e 92 cm em
ovelhas Dorper adultas com peso vivo de 54.35 kg e
56.56 kg respectivamente, semelhante aos valores
encontrados no presente estudo, o que pode ser
Discussão
características de morfometria corporal e as medidas
de carcaça tomadas in vivo por ultrassonografia
apresentaram correlações baixas a moderadas entre si.
Foi encontrada uma correlação moderada e
significativa entre PT e as medidas de AOL (p < 0.01),
PROF (p < 0.05) e EG (p < 0.01).
Avaliação de Carcaça in vivo e biometria corporal em ovelhas da raça Dorper
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explicado por serem matrizes selecionadas para a
produção de carne (Lobo et al., 2011).
AguilarHernandez et al. (2020) em seu estudo sobre
relação de medidas de ultrassom e características de
carcaça em ovelhas adultas da raça Pelibuey,
encontraram média de AOL de 6.89 ± 1.45 cm², sendo
esse valor menor do que o encontrado no presente
trabalho, isso pode ser devido as ovelhas Pelibuey
serem de menor porte e não possuir tanta seleção para
essa característica na raça. Pinheiro et al. (2010)
relataram AOL de 11.62 cm² em ovelhas de descarte da
raça Santa Inês. Sabendo que a AOL é uma medida
influenciada pelo sistema de produção e pelo genótipo
animal e que está relacionada com o ganho de peso,
rendimento e acabamento de carcaça (Cartaxo et al.,
2011), entendese que os animais que possuem aptidão
para carne e estão inseridos em sistemas de produção
com manejo adequado vão apresentar maiores
medidas de AOL, que matrizes que não são
selecionadas para corte.
Pinheiro et al. (2010) encontraram correlações entre
medidas determinadas in vivo por ultrassom e na
carcaça de ovelhas de descarte da raça Santa Inês,
médias para LARG e PROF de 5.50 cm e 3.66 cm,
respectivamente, valores próximos aos encontrados no
presente estudo, apesar dos animais apresentarem
diferentes genótipos.
Silva et al. (2016), observaram média semelhante ao
presente estudo para EG (0.497 ± 0.12 cm) em ovelhas
adultas da raça Ile France. A deposição de gordura na
carcaça atinge o valor máximo na maturidade do
animal e em maior quantidade em fêmeas, devido
diferenças hormonais entre os sexos, com isso as
matrizes apresentam maiores valores de EG
depositando mais precocemente a gordura na carcaça
a (Owens et al., 1993; Alves et al., 2014; Cunha et al.,
2000; Pinheiro et al., 2009).
A média para MUSC encontradas nesse trabalho
permitem supor que as matrizes estudadas são
adequadas para sistemas de corte, pois valores de
MUSC maiores que 0.40 indicam animais adequados
para a seleção de para produção de carne (King 2006
apud Suguisawa et al., 2013). A MUSC é uma
característica usada para avaliar a aptidão de
produção de carne (Taveira et al., 2016). Entretanto,
essa medida em ovinos de corte é pouco estudada na
literatura científica, bem como as correlação com as
demais medidas morfometricas e medidas de carcaça.
Quanto ao efeito idade, as variáveis EC, AG, PT,
AOL, LARG, PROF e EG apresentaram resultados
superiores nas matrizes do grupo G2. Em um estudo
sobre a caracterização fenotípica de ovelhas Dorper,
ovelhas locais e cruzamentos entre essas duas raças no
Nordeste de Amhara, Etiópia, Mohammed et al. (2018)
observaram que a AG do grupo de ovelhas com idade
superior a 1 ano e 6 meses foi maior (64.92 ± 0.28 cm),
do que as ovelhas de grupos com idades inferior (62.99
± 0.41 cm). Segundos esses mesmos autores, as
medidas de PT e AC aumentam conforme os animais
ficam mais velhos, até atingir um platô.
Na avaliação da composição regional e tecidual da
carcaça ovina, Alves et al. (2015), observou que a
deposição dos tecidos se gradativamente,
ocorrendo primeiro a formação de ossos, depois a
deposição do músculo, da gordura visceral, da
gordura intermuscular, gordura subcutânea e por
último a godura intramuscular (marmoreio). Dessa
forma à medida que a idade do animal aumenta maior
é a medida de EG, pois a gordura apresenta um
crescimento acentuado nos animais mais velhos
(Oliveira et al., 2022). As maiores médias de EG, AOL,
LARG, PROF e EC no grupo de matrizes mais velhas
podem ser explicadas pelo crescimento alométrico dos
tecidos, sendo que o tecido ósseo se desenvolve
primeiro, posteriormente o muscular e mais
tardiamente o tecido adiposo (Berg e Butterfield, 1976).
Portanto as matrizes do grupo G2 possuem médias
superiores que apontam maior musculosidade e
espessura do tecido adiposo, comparativamente aos
animais do grupo G1, e consequentemente maior EC.
O PT é uma medida relacionada com o volume
corporal dos animais (Grandis et al., 2018; Koritiaki et
al., 2012; Reis et al., 2008) e geralmente os animais com
idade superior apresentam maior peso vivo e maior
acúmulo de gordura, consequentemente apresentando
um maior volume corporal. Dessa maneira, uma
média de PT superior nas matrizes do grupo com G2,
comparativamente a G1 era esperado, em razão da
idade das matrizes. A idade teve correlações positivas,
moderadas e significativas com o PT e AOL, o que
pode ser explicado devido ao aumento da idade do
animal, que o peso também aumenta (Osório et al.,
2020). Além disso, os animais mais velhos acumulam
maior quantidade de gordura (Gois et al., 2018), sendo
assim quanto mais velho o animal, maior o EC, e
consequentemente maior PT, visto que essa
característica está relacionada com peso e EC (Cient,
2006; Cunha Filho et al., 2010; Grandis et al., 2018). A
correlação foi de média magnitude e significativa entre
idade e AOL, sendo a AOL uma medida que
corresponde ao desenvolvimento muscular, e que
indica que com o crescimento do animal, ao passar da
idade, ocorre também o crescimento da musculatura
desse animal, visto que o tecido muscular
Paula et al.
ISSNL 10221301. Archivos Latinoamericanos de Producción Animal. 2022. 30 (4): 301  310
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é caracterizado por um crescimento isógenos, ou seja,
proporcional com o tamanho do animal (Santos et al.,
2001).
O presente estudo corrobora com as altas correla
ções entre EC e as medidas de AOL (0.56), PROF (0.67)
e EG (0.67) encontradas por Pinheiro et al. (2014), o
que, para esses autores, essas correlações indicam que
a melhora do EC do animal permite uma maior
musculosidade. Em seu estudo Osório et al. (2009),
observaram correlação média a alta entre EC e a
deposição de gordura na carcaça, o que pode explicar
o resultado alcançado no presente estudo de uma
correlação média entre EC e EG, com o aumento da
condição corporal do animal adulto, o tecido que
tende a aumentar é a gordura de cobertura de carcaça,
que pode ser mensurada através da EG.
OrdoñezGomez (2018) em um estudo sobre relação
de crescimento de ovelhas crioulas heterogêneas
cruzadas com machos, Dorper e Blackbelly, relatou
altas correlações entre AC e AG (0.88), correlações
medianas entre AC e PT (0.56) e AG e PT (0.54),
semelhantemente ao que foi observado no presente
estudo. Entretanto esse autor encontrou correlação alta
entre o PT e CC, e no presente estudo as correlações do
CC com as demais medidas morfométricas se
apresentaram baixas. Pinheiro et al., (2010),
observaram que AOL, possui correlação média a alta
com as características LARG (0.53), PROF (0.79).
Da mesma maneira, Santos et al. (2016), em seu
trabalho sobre estrutura de covariância para
características de carcaça e tamanho corporal com
medidas repetidas em ovelhas de diferentes grupos
genéticos (Santa Inês, Dorper x Santa Inês, Dorper x
Morada Nova), encontraram alta correlação entre AOL
e PROF (0.89), semelhante aos resultados encontrados
no presente trabalho que se dão possivelmente por
essas medidas estarem correlacionadas com a
musculosidade do animal (Suguisawa, et al., 2013),
essas medidas quando presentes em altos valores
indicam uma maior quantidade de músculo na
carcaça, as altas correlações entre AOL x PROF e entre
AOL x LARG podem ser explicadas por essas medidas
serem feitas no mesmo músculo, além de que a LARG
e PROF são medidas utilizadas para calcular a AOL.
Uma correlação moderada entre AOL e EG com
indices entre 0.55 e 0.61 também foi descrita por Santos
et al. (2016) e Cartaxo e Sousa (2008) em cordeiros
terminados em confinamento. Isto mostra que com o
aumento da musculosidade também ocorre uma maior
deposição de gordura dos animais. Assim como no
presente estudo, Santos et al. (2016), encontraram
correlação moderada entre AOL e PT (0.68) e PROF e
PT (0.69). Essas informações indicam que animais com
maior perímetro torácico apresentam maior deposição
de músculo na carcaça e essa medida de PT pode ser
usada