Archivos Latinoamericanos de Producción Animal. 2022. 30 (2)  
Distância genética de bovinos Curraleiro Pé­Duro em relação a outras raças  
criadas no Brasil e nos Estados Unidos avaliadas com microssatélites  
Geraldo Carvalho1  
Célia R. Quirino2  
Samuel R. Paiva3  
Harvey D. Blackburn4  
Embrapa Meio­Norte. Setor de Gestão de Bibliotecas – SGB. Av. Duque de Caxias, 5650 – Bairro Buenos Aires,  
Teresina/ PI – Brasil  
Genetic distance of Curraleiro Pé­Duro cattle in respect other breeds raised in Brazil and the  
United States assessed with microsatellites  
Abstract. The objective of this study was to asses genetic diversity among 4 Brazilian (145 animals) and 15 USA  
cattle (269 animals) breeds using 34 microsatellite markers. Samples from the United States represented a broad  
geographic distribution whereas Brazilian samples were from mid north region. Results showed that the degree of  
differentiation between the studied breeds indicates low gene flow among analyzed populations, which  
demonstrates reproductive isolation. It is also obvious the wide variation between individuals (75 %) and small  
variation between breeds (25 %), mainly among North American breeds. Cattle grouped according to their  
geographical origins. Work involving locally adapted breeds is scarce, since these animals are not as productive as  
commercial breeds in use today. Genetic differentiation was substantial, suggesting that there is a range of  
opportunities to use these resources in Western Hemisphere context. All evaluating used methods showed that the  
genetic differences among Curraleiro Pé­Duro and other evaluated breeds suggest that heterosis can be obtained  
using this breed in breeding programs. Molecular Genetic Distance between bovine breeds could be used as a  
reference when choosing mating, with a view to the gains provided by heterosis in terms of adaptability, precocity,  
good weight performance, good meat production and good interaction with the environment for sustainable  
livestock production in both countries, Brazil and the United States.  
Key words: Local breed, Tropically adapted, Genetic structure, Beef cattle, Taurine, Zebu  
Resumo. O objetivo neste estudo foi avaliar a diversidade genética entre 4 raças brasileiras (145 animais) e 15  
bovinos norte­americanos (269 animais), utilizando 34 marcadores microssatélites. As amostras dos Estados Unidos  
representaram uma ampla distribuição geográfica, enquanto as amostras brasileiras foram da região centro­norte.  
Os resultados mostraram que o grau de diferenciação entre as raças estudadas indica baixo fluxo gênico entre as  
populações analisadas, o que demonstra isolamento reprodutivo. Também é óbvia a grande variação entre  
indivíduos (75 %) e pequena variação entre raças (25 %), principalmente entre as raças norte­americanas. Bovinos  
agrupados de acordo com suas origens geográficas. Trabalho de diversidade genetica envolvendo raças autoctones  
so escassos, uma vez que esses animais não são tão produtivos quanto as raças comerciais em uso hoje. A  
diferenciação genética foi considerada substancial, sugerindo que existe uma gama de oportunidades para usar  
esses recursos no contexto do Hemisfério Ocidental. Todos os métodos de avaliação das diferenças genéticas entre  
Curraleiro Pé­Duro e outras raças sugerem que a heterose pode ser obtida usando esta raça em programas de  
cruzamento. A “Distância Genética Molecular” entre as raças bovinas poderia ser usada como referência para  
escolha em acasalamentos, com vistas aos ganhos proporcionados pela heterose quanto a adaptabilidade,  
precocidade, desempenho ponderal, produção de carne interação com o meio­ambiente para produção sustentável  
da pecuária.  
Palavras chaves: Raças locais, Tropicalmente adaptadas, Estrutura genética, Gado de corte, Taurino, Zebu  
Recibido:2020­07­31. Aceptado: 2021­05­12  
1
Autor para la coreespondencia: geraldo.carvalho@embrapa.br  
Universidade Estadual do Norte Fluminense "Darcy Ribeiro", UENF, Brasil.  
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Final W5 Norte, Brasília, DF, 70770­900, Brazil  
USDA­ARS Plains Area: Fort Collins, CO, US  
2
3
4
7
9
8
0
Carvalho et al.  
Introducción  
A introdução de bovinos nas Américas ocorreu  
quase simultaneamente teve uma evolução  
semelhante ao longo dos tempos, desde o início da  
colonização hispano­portuguesa. Os animais  
fundadores do rebanho bovino do continente  
Americano são originários da Península Ibérica  
(Primo, 1992). Muitas populações locais foram  
e
substituídas ou utilizadas em cruzamentos para  
produção de carne e leite, sem a manutenção de raças  
puras para produção de touros. A preocupação  
humana com a perda da diversidade genética em raças  
localmente adaptadas  
e
sua conservação tem  
(
Primo, 2010). Por meio de um longo processo de  
aumentado, uma vez que a seleção intensa e a redução  
do tamanho da população em muitas raças vem  
causando perdas na biodiversidade genética bovina  
global (Eusebi et al. 2019).  
expansão e adaptação aos diversos ecossistemas do  
Novo Mundo, diversas raças locais se originaram pela  
seleção natural. As novas populações surgidas foram  
denominadas de “crioulas” e se espalharam por todo o  
Continente Americano (Rodero et al., 1992). Por  
décadas, ocorreu um fluxo gênico entre os rebanhos de  
animais domésticos em todo o hemisfério ocidental  
sugerindo que essa região contém uma ampla  
variedade de diversidade genética para uso em  
Biomas e sistemas distintos de produção.  
Algumas raças locais têm diminuído o tamanho  
efetivo e algumas estão até mesmo em via de extinção.  
A perda da variabilidade irá restringir as opções  
disponíveis para as necessidades desconhecidas do  
futuro.  
Algumas pesquisas foram realizadas com o objetivo  
A espécie bovina nas Américas, está presente desde  
a Terra do Fogo, ao sul, até as remotas ilhas do Alaska,  
ao norte. Contudo o rebanho fundador da atual  
população teve origem diversa. Segundo Primo (1992),  
os bovinos originários da Ibéria povoaram desde o  
Texas, nos Estados Unidos, até o Sul da Argentina e  
ainda estão presentes em ambientes adversos para  
raças de elevada produção. Segundo Sponenberg e  
Olson 1992, o gado bovino da era colonial espanhola  
no Sudoeste e Sudeste Estados Unidos da América do  
Norte persistem escassamente em pequenas “ilhas”  
isoladas que evolucionaram em distintos grupos de  
bovinos, como o Texas Longhorn e Florida Cracker.  
de caracterizar alguns grupamentos bovinos em  
diversas regiões (Jordana et al., 2003; Egito et al., 2007;  
Mcneil et al., 2007; Oliveira et al. 2012; Carvalho et al.,  
2012; Delgado et al., 2012, Silva Filho et al. 2014;  
Zinovieva et al., Cardoso et al. 2016; 2019; Bermejo et al.  
2020). Todavia existe uma falta de conhecimento  
acerca de populações atuais entre o Norte e o Sul da  
América. O presente trabalho foi direcionado para se  
avaliarem a diversidade genética, a endogamia e as  
relações entre o Curraleiro Pé­Duro (Bos taurus taurus)  
e raças locais e especializadas criadas no Brasil e nos  
Estados Unidos. Ambos os países possuem,  
conjuntamente, o maior rebanho comercial do planeta,  
Estados Unidos com 94.4 milhões de cabeças (USDA,  
2020) e o Brasil com 214.9 milhões de cabeças (IBGE,  
2019) podendo apresentar grande complementaridade  
na pecuária de corte. Projetos de conservação e  
melhoramento genético e indicam a possibilidade de  
uso em cruzamentos com vistas ao ganho da heterose  
e complementariedade nos produtos.  
A partir da década de 1950, no século 20, deu­se  
ênfase à produtividade e foi iniciada a especialização,  
que favoreceu algumas raças e levou outras à extinção.  
Esse processo foi acelerado pela introdução de técnicas  
modernas de reprodução e pela globalização. A  
introdução zebuína no Brasil e os cruzamentos  
desordenados que se seguiram determinaram  
a
substituição das raças locais em diversas regiões do  
País, levando à quase total absorção dos rebanhos  
locais. Nos Estados Unidos, os bovinos locais também  
foram substituídos, em sua grande maioria, por raças  
mais produtivas e já melhoradas na Europa e também  
cederam lugar ao Brahman em ambientes subtropicais  
Assim o objetivo no presente trabalho foi investigar  
a diversidade genética entre quatro raças de bovinos  
brasileiras (145 animais) e 15 raças bovinas norte­  
americanas (269 animais) com o uso de 34 marcadores  
microssatélites.  
Materials and Methods  
Um total de 414 amostras de sangue ou sêmen foram  
coletadas de 4 raças brasileiras e 15 raças norte­americanas  
para o presente estudo (Tabela 1). As amostras das  
raças brasileiras foram amostradas na região Meio­  
Norte do nordeste do Brasil. As amostras foram  
originadas de rebanhos mantidos pela Embrapa Meio­  
Norte (Nelore e Curraleiro Pé­Duro) ou de fazendas  
particulares (Gir e Caracu), com amostragem de  
animais oriundos de diversos rebanhos. Duas das  
raças brasileiras ora analisadas, tiveram origem em  
raças portuguesas importadas durante o período  
colonial (Caracu e Curraleiro Pé­Duro). Importações  
posteriores de zebuínos Nelore e Gir também foram  
amostradas. As raças Gir, Caracu e Curraleiro Pé­Duro  
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Distância genética de bovinos Curraleiro Pé­Duro em relação a outras raças  
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são de dupla aptidão enquanto a raça Nelore é utilizado para corte e reponde por cerca de 80 % do rebanho bovino  
brasileiro.  
Tabela 1. Raças, populações e descrições fenotípicas das raças brasileiras e norte­americanas analisadas.  
Raça  
Chirikof  
Escocês  
Hereford  
Saler  
Limosin  
Simetal  
Charolês  
Tarantase  
Black Angus  
Red Angus  
Shorthorn  
Local  
No  
24  
18  
21  
21  
17  
19  
19  
19  
22  
18  
15  
15  
15  
18  
30  
Origem  
Rússia  
Escócia  
Inglaterra  
França  
França  
Suiça  
França  
França  
Inglaterra  
Inglaterra  
Inglaterra  
Espanha  
Espanha  
Espanha  
Espanha  
Uso  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Carne  
Status  
Estados Unidos  
Estados Unidos  
Estados Unidos  
Estados Unidos  
Estados Unidos  
Estados Unidos  
Estados Unidos  
Estados Unidos  
Estados Unidos  
Estados Unidos  
Estados Unidos  
Em risco  
Em risco  
Comercial  
Comercial  
Comercial  
Comercial  
Comercial  
Comercial  
Comercial  
Comercial  
Comercial  
Em risco  
Em risco  
Em risco  
Em risco  
Texas longhorn Estados Unidos  
Florida Cracker Estados Unidos  
Piney Woods  
Crioulo do  
Novo México  
Curraleiro  
Pé­Duro  
Caracu  
Estados Unidos  
Estados Unidos  
Brasil  
48  
Portugal  
Carne/ leite Em risco  
Brasil  
Brasil  
Brasil  
33  
32  
32  
Portugal  
Índia  
Índia  
Carne/ leite Comercial  
Carne/ leite Comercial  
Carne  
Gir  
Nelore  
Comercial  
As a mostras das raças norte­americanas analisadas  
tiveram suas amostra (sêmen) foram provenientes do  
banco de Germoplasma animal (National Animal  
Germplasm Program (NAGP): USDA ARS). As  
amostras foram selecionadas de origem distinta e  
algumas raças, com pouca amostragem, possuem  
poucos indivíduos e se encontrm em elevado risco de  
extinção (Flórida Cracker, Piney Woods e Crioulo do  
Novo México).  
avaliação, sendo eles: AGLA227, BL1029, BL1038,  
BM2613, BM719, BM8126, BM827, BMC1013,  
BMC5227, BMS1247, BMS1282, BMS1315, BMS1316,  
BMS2177, BMS2533, BMS2614, BMS468, BMS510,  
BMS574, BMS713, BMS745, BMS836, BP28, CSSM036,  
CSSM038, IDVGA­2, IDVGA45, ILSTS023, ILSTS028,  
ILSTS059, INRA063, RM044, RM321, URB14.  
A
genotipagem foi realizada pelo Laboratório de  
Genética Veterinária do NAGP: USDA ARS, Fort  
Collins, CO. Nenhum microssatélite ou animais foi  
excluído da análise devido à falta de dados. O pacote  
de software LOSITAN (Antão et al., 2008) foi  
executado para testar microssatélites que podem ter  
sido influenciados pela seleção. Nenhum dos  
microssatélites utilizados foram considerados sob a  
influência da selesso e excludos dan análise.  
A Ilha Chirikof, assim como todo o Alaska,  
pertenceu, à Rússia e especula­se que o gado bovino  
em estado selvagem la existente seja originário da  
Sibéria (gado Yakut), segundo relatos na história do  
rebanho, houve introdução de Escocês da Montanha  
(
foi arrendada por escoceses) e de gado Hereford (um  
touro importado da Califórnia. Entretanto as  
atividades pecuárias não prosperaram e o gado e as  
terras foram abandonados.  
O programa GENALEX 6 (Peakall e Smouse, 2006)  
foi usado para calcular os números médios e efetivos  
de alelos, frequência de alelos por locus,  
Amostras das raças Norte­americanas foram obtidas  
diretamente de criadores ou associações de criadores,  
ou como sêmen ou sangue. Ao receber amostras do  
sêmen ou sangue este foi criopreservado até realização  
das genotipagens.  
heterozigosidade observada esperada, alelos  
privados de uma raça ou grupo de raças, análise de  
coordenada principal, análise de variância  
molecular. O Programa STRUCTURE (Pritchard et al.,  
2000) foi executado usando um “burn­in” de 50.000 e  
e
e
a
3
00.000 iterações por “cluster” (K) e com 3 repetições  
Um total de 34 microsatélites foram utilizados para  
estimar as distancias genticas, nomeadamente na  
por K. o Delta K (Evanno et al., 2005) calculado a partir  
da mudança no logarítimo da verossimilhança ­ a  
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Carvalho et al.  
o número de K para avaliar este conjunto de raças era  
foi usado para representar graficamente os resultados  
do STRUCTURE.  
6
. O pacote de software DISTRUCT (Rosenburg, 2004)  
Resultados y Discusión  
Em um cenário de aquecimento global, mais áreas  
O número médio de alelos efetivos por loco  
verificado no presente trabalho foi maior que o  
encontrado por Cañon et al., 2001, Egito et al 2007 e  
por Delgado et al., 2012, que trabalharam com raças  
locais, provavelmente devido ao menor número de  
marcadores utilizados por esses autores e a introdução  
de zebuínos na presente pesquisa.  
inóspitas irão surgir podendo causar uma mudança  
nas espécies e raças a serem exploradas nessas novas  
localidades tropicais, subtropicais e semiáridas do  
Planeta. Entretanto somente populações avaliadas e  
caracterizadas terão acesso ao agronegócio da  
pecuária. Ao se quantificar a diversidade genética  
dentro e entre populações nas 19 raças bovinas  
investigadas, usando dados de frequências alélicas  
obtidas da análise de marcadores moleculares  
microssatélites, constatou­se que 25 % da variação total  
foi entre raças e 75 % dentro de raça. Raças bovinas  
com origens em uma ampla variedade de localizações  
geográficas estão representadas neste estudo.  
Diversidade genética dentro das populações  
A raça Caracu apresentou a menor diversidade  
(heterozigosidade esperada (He) = 0.54), fato também  
observado por Egito et al., 2007, enquanto a Gir e o  
Criollo do Novo México apresentaram  
diversidade (He = 0.69) (Tabela 2).  
a maior  
Diversidade genética entre as populações  
Os grupamentos Black Angus e “Red” Angus, Texas  
Longhorn e Criollo do Novo México apresen­taram as  
menores distâncias (Fst), respectivamente, de 0.33 e  
0.37, sugerindo apenas diferenças fenotípicas.  
Todos os 34 locus investigados se mostraram  
polimórficos com um total de 438 alelos distintos nas  
1
9 raças investigadas. O número de alelos por lócus  
variou de 5 a 29, com média de 13, utilizando um  
painel de microssatélites recomendados pela FAO /  
ISAG para estudos de biodiversidade em bovinos.  
Entre as raças locais de origem Ibéricas criadas no Brasil  
e aquelas (raças íbrica) criadas nos Estados Unidos a  
distancia gentica foi pequena (0.22 entre Curraleiro Pé­  
Duro e Caracu até 0.39 entre Curraleiro Pé­Duro e Texas  
Longhorn (Tabela 2), provavelmente devido a mesma  
origem dos rebanhos fundadores.  
Tabela 2. Resumo estatístico da frequência alélica em raças brasileiras e norte­americanas.  
Pop  
Chirikof  
Simental  
Escocês  
Saler  
Hereford  
Limosin  
Brack Angus  
Charolês  
Red Angus  
Tarantase  
Shorthorn  
Texas Longhorn  
Piney Woods  
Flórida Cracker  
Novo México  
Curraleiro Pé­Duro 44  
Caracu  
Gir  
N
Na  
4.62  
5.15  
4.26  
5.35  
4.82  
5.09  
4.94  
5.50  
4.82  
4.38  
4.41  
5.00  
5.50  
3.68  
6.88  
6.35  
4.74  
6.29  
5.12  
5.10  
Ne  
2.81  
2.97  
2.52  
3.15  
2.85  
3.03  
3.00  
3.14  
3.04  
3.05  
2.67  
3.33  
3.45  
2.75  
3.82  
2.93  
2.63  
3.56  
2.93  
3.03  
Ho  
He  
UHe  
F
Fis  
24  
19  
18  
21  
21  
17  
22  
19  
18  
19  
15  
15  
18  
15  
30  
0.614 0.586 0.599 ­0.052 ­0.025  
0.594 0.581 0.597 ­0.021 0.005  
0.582 0.552 0.568 ­0.055 ­0.024  
0.605 0.617 0.634 0.010 0.047  
0.582 0.581 0.595 ­0.018 0.023  
0.600 0.616 0.635 0.026 0.057  
0.602 0.604 0.618 ­0.001 0.026  
0.649 0.622 0.640 ­0.041 0.014  
0.611 0.612 0.630 ­0.009 0.031  
0.682 0.625 0.662 ­0.088 ­0.032  
0.542 0.560 0.579  
0.674 0.639 0.668 ­0.058 ­0.01  
0.608 0.657 0.676 0.079 0.103  
0.637 0.580 0.647 ­0.087 0.017  
0.674 0.682 0.694  
0.575 0.606 0.613  
0.512 0.538 0.547  
0.589 0.675 0.687  
0.560 0.602 0.617  
0.605 0.607 0.627  
0.008 0.067  
0.021 0.029  
0.050 0.061  
0.051 0.065  
0.124 0.144  
0.079 0.095  
0.001 5.10  
33  
29  
20  
Nelore  
Média  
Onde, N: número de indivíduos analisados, Na: número de alelos observados, Ne: número de alelos esperados, Ho: heterozigosidade  
observada, He: heterozigosidade esperada, Uhe: heterozigosidade esperada não viciada, F: alelos fixos, Fis: consanguinidade.  
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Distância genética de bovinos Curraleiro Pé­Duro em relação a outras raças  
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Como esperado, os zebuínos se mostraram próximos  
entre si (Fst = 0.56), mas distante das demais. Por outro  
lado, as raças locais brasileiras se colocaram distin­  
tamente das outras raças taurinas norte­americanas. O  
índice de consanguinidade (Fis) nos rebanhos brasi­  
leiros (Tabela 3) foi de 0.061; 0.065; 0.144 e 0.095,  
respectivamente para o Curraleiro Pé­Duro, Caracu,  
Gir e Nelore, resultados semelhantes aos de Egito et al.  
vistas a se manter ou elevar a variabilidade genética  
nos atuais grupos analisados, principalmente naqueles  
em maior risco de extinção.  
Ainda sobre a variabilidade, Cardoso et al. (2016)  
mostraram resultados indicando que, ao avaliarem o  
conforto térmico em grupos de bovinos Nelore, Panta­  
neiro e Curraleiro Pé­Duro, alguns indivíduos, mesmo  
dentro do mesmo grupo, estavam mais adaptados ao  
calor que outros. Animais de pelo longo, por exemplo,  
não estão adaptados às intempéries tropicais, mas  
poderiam ser usados em regiões temperadas em  
cruzamentos com taurinos comerciais para introgredir  
a resistência / resiliência a parasitoses.  
2
007, para essas mesmas raças, em rebanhos distintos,  
sem parentesco entre si.  
A heterosigosidade pode ser uma medida /  
indicativo da variabilidade individual  
e
da  
capacidade de uma população responder a seleção.  
Assim os resultados apresentados na Tabela também  
demonstram quais raças estão em maior perigo de  
perda gênica ou mesmo risco de extinção, como o  
resultado apresentado pelo grupamento Caracu. Por  
outro lado, o Crioulo do Novo México e o Gir  
apresentaram as maiores heterozigosidade na presente  
pesquisa. No presente trabalho, a heterozigosidade  
variou de 0.547 a 0.694 nos dezenove grupamentos  
Apesar de boa diversidade genética detectada em  
alguns grupamentos, consanguinidade significativa  
também foi observada em alguns, e excesso de  
heterozigotos foi detectado em outras, como também  
verificado por Delgado et al. 2012.  
As raças nativas possuem variabilidade e são  
distintas dos zebuínos e taurinos comerciais, sendo  
uma opção para uso em cruzamentos com o objetivo  
de complementar a interação Genótipo x Ambiente.  
Esses resultados indicam que as raças locais brasileiras  
analisados.  
O
Curraleiro Pé­Duro apresentou  
heterozigosidade efetiva de 0.613, estando em  
conformidade com os resultados publicados por  
Oliveira et al., 2012 e Silva Filho 2015, com resultados  
de 0.600  
e
de 0.654 respectivamente em gado  
e
norte­americanas necessitam de medidas de  
conservação adequadas fim de minimizar  
endogamia e cruzamentos descontrolados.  
Curraleiro Pé­duro no Estado do Piauí, Brasil.  
Recomenda­se o uso de acasalamentos dirigidos com  
a
a
Tabela 3. Distância genética entre as populações bovinas avaliadas aos pares.  
Onde, 1: Chirikof, 2: Simental, 3: Escocês de Montanha, 4: Saler, 5: Hereford, 6: Limosin, 7: Angus Preto, 8: Charolês, 9: Angus Vermelho, 10:  
Tarantase, 11: Shorthorn, 12: Texas Longhorn, 13: Piney Woods, 14: Flórida Cracker, 15: Crioulo do Novo México, 16: Curraleiro Pé­Duro, 17:  
Caracu, 18: Gir e 19: Nelore.  
ISSN­L 1022­1301. Archivos Latinoamericanos de Producción Animal. 2022. 30 (2): 79­89  
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4
Carvalho et al.  
Analisando a estrutura das populações pelo método  
número de clusters (K) seja igual a 2, 3, 4, 5 e 6 é  
mostrada na Figura 3. Os seis grupos ficaram assim  
definidos: os zebuínos Gir e Nelore formaram o  
primeiro grupo; seguido das raças locais Curraleiro  
Pé­Duro e Caracu; As britânicas Angus (preto e  
Bayesiano STRUCTURE (Prichard et al. 2000) pode­se  
assumir que o número verdadeiro de populações (K)  
em 19 populações analisadas seja igual a 6. Quando  
assumimos o K = 2, agrupam­se de um lado os bovinos  
Norte­Americanos e do outro os brasileiros, entretanto  
vermelho)  
e
Shorthorn; Hereford, Escocês de  
o
Caracu  
e
o
Curraleiro Pé­Duro apresentaram  
Montanha e Chirikof; as de origem francesa (Saler,  
Simental, Tarantase, Limosin e Charolês) e as locais de  
origem espanhola (Texas Longhorn, Crioulo no Novo  
México, Piney Woods e Flórida Cracker). Os grupos  
formados nos rebanhos norte­americanos conferem  
com os resultados de Macneil et al. (2007) que  
analisaram a relação entre o gado Chirikof e outras  
raças nos Estados Unidos.  
pequena introgressão zebuína.  
Segundo Primo (1992), as raças locais do Brasil  
apresentam genes zebuínos desde os seus primórdios,  
podendo­se afirmar também que as raças locais  
serviram de base para a formação das raças zebuínas  
no País. A evolução das raças, quando se assume que o  
Onde: 1: Chirikof; 2: Simental; 3: Escocês de Montanha; 4: Saler; 5: Hereford; 6: Limosin; 7: Angus; 8: Charolês; 9: Angus Vermelho; 10: Tarantase;  
1: Shorthorn; 12: Texas Longhorn; 13: Piney Woods; 14: Flórida Cracker; 15: Novo México; 16: Curraleiro Pé­Duro; 17: Caracu; 18: Gir e 19:  
1
Nelore.  
Figura 1. Estrutura racial quando o número de populações assumida (K) foi igual a 2, 3, 4, 5 e 6. O tamanho de cada segmento é  
definido pelo tamanho da amostra.  
A análise das estruturas moleculares das 19  
populações mostrou a existência de apenas 6 (seis)  
grupos assim constituído:  
Crioulo do Novo México, Flórida Cracker e Piney  
Woods); e  
Grupo 6: Francesas (Saler, Limosin, Charolês,  
Simental, Tarantase).  
A
maioria das raças se  
aquelas mais intimamente  
compartilharam mesmo  
Grupo 1: Zebuínos (Nelore e Gir);  
agruparam  
com  
que  
Grupo 2: Locais Brasileiras (Curraleiro Pé­Duro e  
Caracu);  
Grupo 3: Chirikof, Escocês de Montanha e Hereford;  
relacionadas  
o
agrupamento e outras misturadas, principalmente  
entre as norte­americanas.  
Grupo 4: Britânicas (Shorthorn, Angus (Preto  
Vermelho)’  
Grupo 5: Locais norte­americanas (Texas Longhorn,  
e
Texas Longhorn e Florida Cracker apresentam  
estruturas semelhantes, assim como o Curraleiro Pé­  
ISSN­L 1022­1301. Archivos Latinoamericanos de Producción Animal. 2022. 30 (2): 79­89